.

.

27/10/2017

David Gilmour libera trecho de "Shine On You Crazy Diamond" do Live At Pompeii





Por
Letícia Lima

Em 1971, Pink Floyd fazia uma apresentação na Arena de Pompéia, na Itália, quebrando um silêncio de mais de dois mil anos, persistente desde a época dos gladiadores e das lutas sangrentas. O show, intitulado Live at Pompeii, foi lançado em 1972 e teve direção de Adrian Maben. Até hoje, esse concerto dos considerados precursores do rock progressivo é um dos mais aclamados pela crítica e fãs do mundo inteiro.

Foi sob essa perspectiva que David Gilmour, ex-vocalista e guitarrista da Pink Floyd, entoou sua voz no mesmo local histórico em que se apresentara décadas antes, não somente para apresentar seu álbum solo, Rattle That Lock, como também para relembrar grandes canções da Pink Floyd como Wish You Were Here, Time e Shine On You Crazy Diamond. Em julho de 2016, o músico fez dois shows na Arena de Pompéia, desta vez, perante um público de 2.600 pessoas em cada dia de concerto. As apresentações deram origem a David Gilmour: Live at Pompeii, filme-concerto dirigido por Gavin Elder (Duran Duran: Live 2011: A Diamond in the Mind).

O começo de David Gilmour: Live at Pompeii traz um panorama geral das preparações para o show, contando com cenas de ensaios e entrevista com Gilmour. É interessante como uma apresentação de tamanha grandiosidade, com um dos maiores músicos de todos os tempos, possui uma atmosfera descontraída, porém intimista e emocionante. Desde os ensaios é possível perceber a cumplicidade entre todos os participantes da banda, o que torna tudo mais belo ainda. Isso é confirmado pelo próprio David, que em dado momento conta que não se preocupa com a performance ser idêntica à versão de estúdio, desde que haja interação entre os integrantes e que eles sejam livres para incrementar a apresentação.

Esse é, sem sombra de dúvidas, um dos pontos fortes do show: parece que todos têm um momento para brilhar – e que momentos!. Os backing vocals, por exemplo, fazem mais do que um suporte para a voz de Gilmour. Eles criam uma atmosfera musical impecável, com uma sonoridade perfeita. Essa descentralização dos holofotes faz com que o concerto seja recheado, cada vez mais interessante, impossível de provocar qualquer indício de tédio.

Em questões de ambientação, o palco foi adornado com um telão no qual alguns vídeos e animações foram exibidos, combinando com as canções performadas e completando-as. Até os míseros detalhes foram cruciais para a excelência do show: as luzes passeando pela arquibancada (que não foi ocupada por questões de preservação do patrimônio histórico), os fogos de artifício no momento certo etc.

Por fim, é necessário destacar a participação do jovem saxofonista brasileiro, João Mello, de apenas 21 anos, que certamente ainda há de trazer muito orgulho para a nação através de seu talento. Além disso, importante comentar a fotografia de Nick Wheeler, que sem dúvidas conseguiu transmitir toda a emoção do concerto e até mais, dando destaque para a figura Gilmour – idosa, mas repleta de energia e borbulhando com talento e experiência.

Não há muito a dizer sobre David Gilmour: Live at Pompeii além de que vale muito a pena assisti-lo na tela gigante. A experiência é, com certeza, transcendental, algo que vai bem além das suas percepções auditivas. Ao escutar Comfortably Numb o pensamento é instantâneo: "definitivamente estou no lugar certo". É um show pra ser sentido, vivido e, sobretudo, lembrado.

Sobre João Mello: 


"Quando recebi o convite foi difícil de acreditar." João de Macedo Mello


Da esquina para a banda

Para entender como o jovem músico nascido em Curitiba, em 1995, e toca oito instrumentos, entrou para a banda do guitarrista do Pink Floyd é preciso voltar a 2013.

No começo daquele ano, João com 16 anos fazia parte de três bandas em Curitiba como a Rocksteady City Firm e só queria tocar e se divertir. Musico nato, João é filho do músico e compositor Chico Mello (que hoje vive na Alemanha) e da atriz Christiane de Macedo e toca piano desde os quatro anos.

“Meu pai sempre me incentivou a aprender música. Quando eu enjoava de um instrumento eu migrava para outro. Ele dizia: “todo bem, desde que continue estudando”. Serei grato a ele eternamente”, reconhece João.

Fez aulas de piano com Edith de Camargo, de bateria com Walmir Pêgas e de sax com Helinho Brandão. No começo de 2013, sua mãe o convocou para ir “morar com ela em Londres, ou pelo menos passar uns seis meses”.

João acabou indo a contragosto. “Tinha 16 anos, não queria deixar Curitiba, nem parar de tocar com os meus amigos. Os primeiros seis meses foram difíceis”, lembra.

Até que num dia em que tocava numa esquina no leste de Londres, conheceu o baixista Fred da banda Razorlight. Os dois começaram a tocar junto e logo surgiu o convite para tocar com a banda e também no projeto paralelo do vocalista Johnny Borell.

“Me juntei a banda e fomos para a França para gravar as demos do disco e tocar. Ele me ofereceu um contrato. Nessa época eu estava decidindo entre entrar numa escola de música ou tocar profissionalmente e não pude deixar a oportunidade passar”, conta.

No primeiro ano em que ficou no Razorlight, João conheceu David Gilmour. “A filha do David namora o guitarrista da banda. Ele sempre foi bem legal, mas nunca imaginei que estava ao meu alcance tocar com ele”, conta.

Roxy e Floyd

Nesta época, outro nome fundamental do rock, o guitarrista Phil Manzanera estava procurando tecladista e saxofonista para sua banda solo. Os colegas do Razorlight, amigos de Manzanera, indicaram João, “que poderia fazer as duas coisas pelo preço de um”.

Phil se encantou com João e ele passou a tocar regularmente na banda do ex-Roxy Music. Então foi a vez de Gilmour procurar um saxofonista para a banda que estava formando para sua turnê 2015/2016 já que o saxofonista Dick Parry está com problemas de saúde.

Desta vez foi Phil Manzanera que fez a ponte e indicou o jovem músico de sua banda. “ele ligou para ele [David Gilmour] e ficou falando coisas boas a meu respeito. Dois dias depois o empresário do David me ligou e fez o convite”, conta.


"Nunca imaginei que estava ao meu alcance tocar com ele."
João de Macedo Mello


“Não sei te dizer porque eles me escolheram, talvez pela minha idade, não saberia te explicar”, diz com modéstia genuína.

O fato é que João, que quando era adolescente “pirava” ouvindo os discos do Floyd em seu quarto, aceitou o chamado e se juntou a banda para os primeiros ensaios. Por conta de sua agenda com o Razorlight, ele vai tocar na parte da perna final da turnê europeia e de toda a perna na América Latina.

Apesar de não esconder a alegria, João mostra maturidade ao dizer que o bom momento exige dedicação ainda maior a carreira. “Sempre soube que a música era o meu caminho. Nos últimos dois anos tem me acontecido coisas muito boas, mas eu sei que outras também irão aparecer se eu seguir tocando, estudando e me dedicando”, afirma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por sua participação!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

David Gilmour


Por gentileza informe links quebrados - Please report broken links

Nome

E-mail *

Mensagem *